Introdução

“A liberdade do artista foi sempre “individual”, mas a verdadeira liberdade só pode ser coletiva. Uma liberdade ciente da responsabilidade social, que derrube as fronteiras da estética …”

LBB

No teatro, o palco ganha vida quando os atores começam a encenar. Isso também ocorre com a arquitetura de Lina Bo Bardi. Os seus edifícios, quando habitados, vibram: ganham vida e se alimentam com a energia, as peculiaridades e a criatividade das pessoas.

Nascida em Roma em 1914, Lina nos deixou uma extraordinária herança como arquiteta, cenógrafa, editora, ilustradora, designer de mobília e curadora de mostras – herança ainda não inteiramente conhecida.

Lina mudou-se para São Paulo em 1946, mas a grande transformação ocorreu durante o período 1958–1964 quando, vivendo em Salvador, descobriu as raízes da cultura popular brasileira. Lina conseguiu amalgamar de forma magistral os valores do Movimento Modernista com a cultura popular brasileira.

Aplicou as sofisticadas técnicas de construção aprendidas com os artesãos locais ao seu projeto para o Museu de Arte Popular do Unhão. Planejou, ainda, a criação de um centro de artesanato e de uma escola de desenho industrial. Citando as suas palavras: “Deveria ser um museu de Arte, no sentido de “Arte”, ou seja “fazer”, nas ações quotidianas de cada dia”.

Alguns anos depois, em São Paulo, Lina foi encarregada de projetar o SESC Pompeia, um centro recreativo a ser realizado na área de uma fábrica desativada. Lina organizou os espaços sem qualquer hierarquia, dando a mesma importância à natação, às aulas de tecelagem, a um show de jazz ou ao jogo do xadrez. Lina promoveu uma cultura da diversidade, em nome da convivência, que se respira ainda hoje neste local: um ambiente de inclusão, onde os idosos interagem com os jovens.

A mostra Lina Bo Bardi: Together presta uma homenagem à capacidade de Lina de envolver-se com cada aspecto da cultura, enxergando o potencial que as pessoas exprimem em sua diversidade. O artista Madelon Vriesendorp realizou workshops no Solar do Unhão, unindo objetos criados no local com a população, outros de sua produção e produtos feitos por artesãos brasileiros. A instalação vídeo de Tapio Snellman explora a vida que nasce no SESC Pompeia, em São Paulo, e traça paralelos com a cidade de Salvador.

Estes dois trabalhos não se limitam a recriar os métodos utilizados por Lina ou a representar o seu trabalho, mas também - dando a estes uma nova vida - permitem que tenhamos uma experiência mais direta.

Noemí Blager, Curador



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